quarta-feira, 5 de junho de 2013

Carta II



Esta carta foii outorgada a 30 de Outubro de 1520, desta feita pelo capitão geral Fernando Cortés.
Começa por sintetizar o que trata a presente relación, irá de uma provincia muito rica denominada Culúa, “…en la cual hay muy grandes ciudades y de maravillosos edifícios y de grandes tratos y riquezas…”13, e da sua cidade mais espantosa que é Tenochtitlan. Irá abordar também o senhor desta cidade Moctezuma e a forma como por ele foram recebidos.
No intróito da carta pede desculpa pela demora em responder14, mas justifica-se com a conquista, que lhe tomava muito do seu precioso tempo.
De seguida, dá a notícia de que submeteu, sem dificuldades, a cidade de Cempoal, descrevendo depois o descontentamento que assola os apoiantes de Velázquez e referindo que para evitar abandonos ou fuga por parte dos soldados decidiu queimar  as naus, visto que assim ninguém poderia fugir.
Posteriormente, dá a conhecer da chegada de uma armada espanhola, cujo capitão é Fernando de Garay. Porém, esta passagem é breve, uma vez que não é dada uma grande atenção a esta armada que passou ao largo da costa de Vera Cruz.
Após este episódio com os seus conterrâneos, Cortez continua a narrar quais foram os passos dados por si e pela hoste que o acompanhava. Dá-nos então a conhecer que irá fazer uma jornada com os índios. Para além de a descrever dá conhecimento das cidades que converteu aos Reis espanhóis15.
Foi na província de Caltanmí que lhe deram a conhecer da existência da cidade de Tlaxcala, extremamente poderosa e inimiga de Moctezuma. Então, Cortéz decidiu ir ao encontro desta população. Contudo, quando finalmente se encontrou com ela apercebeu-se de que esta era hostil e viu-se obrigado a combater com ela e a submete-la através do uso da força e do medo.
No entanto, assim que conseguiu convencer os seus governantes de que não era aliado de Monctezuma e de que estava do lado deles na luta que mantinham contra este líder azteca, passaram recebe-lo de forma mais afável e permitiram a entrada dele na cidade.
Após a narrativa deste episódio de guerra, descreve a cidade de Tlaxcala, o seu quotidiano e os hábitos dos seus habitantes.
A certa altura chegou à cidade uma comitiva de Moctezuma, que lhe deu a entender que o chefe dos Aztecas estava interessado em conhece-lo. Cortez foi invadido por uma certa dúvida, não sabendo se havia de ir, ou não, ao encontro de Moctezuma, uma vez que os Txalcaltecas avisavam “...que no me fiase de aquellos vassalos de Motezuma porque eran traidores y sus cosas sempre las hacían a traición…”16.
Apesar destes avisos Cortez decidiu ir com a comitiva do Rei. Iniciou-se então uma nova jornada que levou o temerário conquistador espanhol através de muitas peripécias, entre as quais uma tentativa de o assassinarem e algumas subjugações de províncias.
O autor da carta dá uma grande ênfase ao encontro que manteve com o líder dos Aztecas, uma vez que se tratava do encontro de dois Mundos. É um dos momentos fulcrais da história da humanidade, visto que é quando se cruza o Mundo Europeu, actual, e o Mundo mais antigo, cuja cultura e cujas tradições são atrasadas face ao mundo moderno.
Após a descrição deste encontro, Cortéz passa a narrar o diálogo que teve com Moctezuma. Neste diálogo, Cortez deu a conhecer ao imperador Azteca as suas intenções e o percurso que havia efectuado até chegar a Tenochtitlan. Por sua vez, Moctezuma tentou limpar a sua imagem face ao que os outros povos podiam ter dito acerca dele e pede  que “… No creáis más de lo que por vuestros ojos veredes…”17.
Após este diálogo, Cortéz inicia uma exposição que visa retractar a cidade de Tenochtitlan, recreando o dia a dia na cidade, os seus hábitos, o seu comércio e o modo como é efectuado, a elite, a forma de se vestirem, quais as principais culturas cultivadas, e a forma como praticam a religião.
Porém, a certa altura foi obrigado a sair da cidade, acompanhado por grande parte das suas tropas, uma vez que Pánfilo de Narváez, enviado de Diego Velázquez, estava a causar distúrbios em Vera Cruz e estava com intenções de guerra. Ocorreu, então, um confronto entre forças espanholas, que opuseram Cortez a Narváez. Este confronto pendeu para o lado de Cortez, o qual com o término do confronto retornou à cidade de Tenochtitlan.
Porém quando aqui chegou, encontrou uma cidade hostil aos espanhóis, muito por culpa da matança do Templo maior, levada a cabo por Pedro de Alvarado, capitão que tinha ficado com a missão de a governar aquando da ausência de Cortés. Só que este não foi capaz de o fazer eficazmente e acabou por ter de eliminar a elite da cidade para tentar restabelecer a ordem entre os Aztecas. Porém, este acontecimento só serviu para os tornar mais revoltosos e mais perigosos, chegando ao ponto de estes matarem o seu governante Moctezuma II.
Perante tal situação os espanhóis, que contavam já com a presença de Cortéz viram-se obrigados a ter de fugir pelas suas vidas, perdendo, assim, grande parte da riqueza e das armas de guerra que consigo tinham.
Após este trágico acontecimento, Cortéz decidiu rumar em direcção a Tlaxcala, onde sabia que poderia tratar dos feridos e enterrar os mortos. Contudo, até chegar a esta cidade, Cortéz viu-se a braços com várias revoltas e teve que as acalmar a todas. Porém havia um grupo de indígenas mais revoltosos16, que alcançaram e obrigaram os Espanhóis, que se encontravam feridos e cansados, a uma batalha, que ficou denominada como a batalha de Otumba. Os Espanhóis sairam vitoriosos desta batalha, e assim puderam chegar, finalmente, a Tlaxcala.
Após chegarem a esta cidade, foi então iniciada uma campanha para subjugar outras aldeias nas redondezas desta grande cidade. Foi nesta altura que se criou a cidade de Segura de la Frontera e que se fizeram as campanhas pelo rio de Pánuco.
Para finalizar esta segunda carta de relação, Cortez começa por reconhecer algumas semelhanças entre o, actual, México e o reino de Espanha, semelhanças estas evidenciadas a nível do clima, de grandeza, da paisagem, da riqueza da fauna e flora, bem como de uma grande fertilidade dos terrenos. Perante tais semelhanças, Cortez decide apelidar esta terra de Nueva España e pede que assim comece a ser denominada. Além disso, afirma que escreverá sobre tudo o que achar pertinente e pede que o Rei dê credibilidade áquilo que ele escreve.

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