quarta-feira, 5 de junho de 2013

Carta I



Esta carta é escrita a 10 de Julho de 1519 e é endereçada ao Imperador Carlos V.
Segundo o autor, esta carta contém “…el origen de cómo y cuándo y en qué manera el dicho gobernador comenzó a conquistar la dicha Nueva España…”7 como ponto inicial. É portanto desta forma que se inicia a carta, ou seja o conselho da Rica vila de Vera Cruz começam por contar as expedições que houve até à entrada em cena de Fernando Cortés.
Como é sabido, antes da vitoriosa expedição de Cortez houve duas missões, encabeçadas a primeira por Francisco Hernández de Córdoba e a segunda por Juan de Grijalva, sobrinho de Diego de Velázquez. Ambas as expedições trouxeram ouro e outras riquezas, que era o objectivo ambicionado pelo governador de Cuba. No entanto as quantidade apreendidas não eram as que Velázquez desejava.
Como as duas missões efectuadas não tinham corrido de feição para Velázquez, eis que este se lembra de um fidalgo espanhol que já havia participado em duas outras expedições e havia conseguido muito bons resultados. Deste modo decidiu pedir ajuda ao tal nobre espanhol, ou seja, a Fernando Cortés, que segundo a carta “…era vecino y justicia de la ciudad de Santiago en la dicha isla de Cuba, que a la sazón estaba rico en dineros y tenía ciertos navios suyos propios y era muy bien quisto y tenía muschos amigos en la isla…”8.
Após conversarem, acordaram em criar uma armada que partiria da ilha de Santiago, para as zonas exploradas por Grijalva e Francisco de Córdoba, em busca de riqueza e ouro.
A armada, que era constituída por “…diez carabelas y cuatrocientos hombres de guerra entre los cuales vinieron muchos caballeros e hidalgos y dieciséis de caballo…”9, sendo que um terço era de Diego Velázquez e o resto era de Cortés, partiu em Outubro de 1518, chegando apenas em Fevereiro de 1519  à terra do Yucatán. Ao chegar a terra decidiu não fazer o que lhe havia sido incumbido, pois apercebeu-se da grandeza da terra onde se encontrava e decidiu submete-la a Espanha e aos seus Reis.  O primeiro passo, dado neste sentido, foi desmontar as naus, de modo a evitar que os seus homens fugissem. Imediatamente após, fundou a Rica Villa de la Vera Cruz, dotando-a de tudo o que era necessário para esta estar na legalidade.
De seguida, passa a descrever as expedições efectuadas por Hernán Cortés desde a partida de Cuba até à chegada e formação da Villa Rica de la Vera Cruz, passando pelo que ocorreu em Cozumel, pela batalha de Centla e a chegada a San Juan de Ulúa. Da análise das cartas é possível constatar a astúcia de Cortez, que em vez de entrar em guerra directa com os indígenas preferiu dialogar, na tentativa de chegar a um consenso e convence-los a serem vassalos de Espanha. Nota-se também o catolicismo feroz que caracteriza Cortés, já que em todas as terras a que vai tenta sempre converter as populações, chegando a deixar uma cruz de madeira e ensinando-lhes os ritos principais da religião católica. Não obstante procurar uma via pacífica, verifica-se que o conquistador espanhol não tinha problemas em entrar em guerra com os indígenas10.
Após a descrição destes feitos, há também a intenção de dar a conhecer a cultura indígena, descrevendo então a forma como se vestem, as culturas que cultivam, sendo que o milho é a que mais se destaca. Ou seja, há uma tentativa de retractar a sociedade e a cultura dos locais onde passaram até chegar a Santa Cruz.
Após esta abordagem ao quotidiano indígena vem a descrição da religião e dos hábitos religiosos praticados pelos índios. Estes aspectos merecem atenção e constata-se que há uma certa preocupação perante tais práticas, pois nunca tinham sido vistas11.
Após esta descrição fazem algumas queixas de Diego Velázquez, acusando-o de só se preocupar com o seu enriquecimento e qual a forma mais rápida de o obter. Por outro lado, ao longo desta carta verifica-se um enobrecimento da personagem de Hernán Cortés, que demonstra uma grande capacidade de liderança e apresenta-se como sendo um pragmático, sabendo decidir da melhor forma nas mais diversas e adversas situações.
Acabam a carta com um novo enaltecimento a Cortez, desta feita pedindo ao Imperador Carlos V que o nomeie de “Capitán General y Justicia Mayor”12, legitimando-o assim como Governador da Villa Rica de la Vera Cruz a Cozumel. Após tal pedido faz-se uma inventariação do quinto que pertence ao rei.

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