A partir da análise das cartas enviadas
pelo famoso conquistador, Hernán Cortés, ao imperador do Sacro-Império e Rei da
Monarquia Hispânica, Carlos V, é possível constatar que existe uma espécie de trasladação
da guerra religiosa que está a ocorrer no continente Europeu para o Novo Mundo.
Relativamente a esta guerra, convém
relembrar que desde 1517 havia uma luta constante entre Católicos e
protestantes, sendo que o líder da facção católica é o ilustre Carlos V. Neste confronto,
de carácter religioso, os protestantes encontravam-se com uma vantagem
significativa perante as forças católicas do imperador do Sacro-Império,
vantagem esta adquirida em grande medida pela insatisfação que grassava entre o
povo e alguns grandes senhores relativamente à posição da Igreja e ao estilo de
vida que esta levava, que era, em tudo, contrário ao que deveria ser o típico
estilo de vida eclesiástico.
Perante esta desvantagem Cortez levou esta
guerra para o México, tendo tomado esta medida com o intuito de “recuperar as
almas perdidas” na Europa, almas essas que se haviam convertido ao Protestantismo.
Desta forma, cada indígena ou cada tribo
convertida ao catolicismo é uma tentativa de equilibrar as perdas que ocorreram
no continente Europeu. Esta medida do conquistador Espanhol passou muito pelo
sentimento católico fervoroso que o assolava e por estar sempre disposto a
lutar pela fé Cristã.
Em minha opinião, esta busca pela
conversão dos indígenas é fruto de uma tentativa de legitimação da acção de
Cortés, uma vez que este iniciou a conquista do México sem a autorização de
ninguém. E não tinha autorização porque a sua missão inicial consistia apenas numa
busca do Ouro existente nas terras indígenas.
Contudo ao chegar ao território do
Yucatán, apercebeu-se da sua grandeza e das enormes riquezas existentes neste
território. Perante tal grandiosidade e riqueza, Cortéz iniciou então a
conquista deste território submetendo todas as povoações e indígenas ao poderio
de Carlos V.
Uma outra tentativa de legitimação da sua
acção presente nas cartas enviadas ao Rei da Monarquia Hispânica é a constante
notificação ao imperador no sentido de que subordinou os territórios para “sua
majestade”, aumentando assim as posses e poder de Carlos V.
Um outro aspecto que gostaria de abordar
nesta análise mais generalista destas cartas de relación de Cortez com o
imperador do Sacro-império é que estas podem ser um pouco tendenciosas (esta
até pode ser uma afirmação arrojada). Faço tal afirmação uma vez que nestas
cartas só são elevados e destacados os factos realizados por Cortez, descurando
os outros homens que integravam a armada do Grande Conquistador.
Além disso temos no livro de Bernal Diaz
del Castillo, Historia verdadera de la conquistade Nueva España, um relato
excepcional e extremamente pormenorizado acerca das acções que os outros
conquistadores tiveram ao longo desta cruzada encabeçada por Cortez. Entre
estes conquistadores destacaram-se: Pedro de Alvarado Cristóbal
de Guzmán e Gonzalo de Sandoval.
Penso que nesta, pequena e sucinta, análise mais generalistas das cartas trocadas entre Hernán Cortés e o imperador Carlos V, é possível constatar que estas cartas serviriam como legitimação da acção que Cortez estava a empreender na "Nueva España", uma vez que o conquistador espanhol não tinha estes desígnios. Estas cartas são também bastante interessantes de ler porque através da sua leitura fica-se a saber mais sobre a forma como decorreu a conquista do México, a forma como Cortez pensa esta conquista, as formas como há-de convencer o imperador a legitimar a sua acção e, para além disso, passa-se a conhecer a forma como os indígenas levavam o seu dia-a-dia e a sua cultura.
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